domingo, 19 de janeiro de 2014

O SANGUE SEMPRE FALA MAIS ALTO

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Minha mãe morreu muito cedo, vítima de um coração que há tempos estava anunciando que o próximo enfarte seria fatal.

Assim, ficamos em três homens naquela pequena casa: meu pai, meu irmão mais velho e eu.

Não sei porque, mas meu pai nunca mais se casou depois da morte de minha mãe. Ele nunca falou sobre isso comigo e, acredito eu, nem com meu irmão.

Diz o ditado que cada louco com sua mania, então lá estávamos nos, seguindo o ditado: meu pai, com sua mania de reformas, acho que ele gastou mais em obras do que muita construtora por aí; eu, com meus livros e meus estudos; e meu irmão, com sua infindável admiração pela marginalidade e tudo que tivesse ligação com o mundo cão.

O engraçado é que a única coisa que sempre tivemos em comum foi o fato de nós três gostarmos de armas. Acho que por aquele inexplicável espírito de camaradagem masculina, aliado a falta de uma presença feminina para discordar de tudo, nosso pai nos apresentou muito cedo à sua automática velha de guerra.

Em vários finais de semana lá íamos os três para o sítio de meu tio Martinho, praticar tiro ao alvo. Meu pai, diga-se em sua defesa, nunca atirou em nenhum ser vivo. Nunca matou nem um passarinho com estilingue.

E lá ficávamos nós, numa pedreira que ficava aos fundos do sítio do meu tio, atirando em latas, garrafas e outros alvos de baixo custo.

Meu pai tinha uma pontaria horrorosa. Vivíamos brincando que era perigoso ficar do lado dele; quando ele atirava, tudo em volta virava alvo.

Meu irmão tinha uma mira apenas mediana, algo como acertar cinco ou seis vezes, a cada dez tentativas.

Já o intelectual da família (ou seja, eu) tinha uma pontaria praticamente perfeita: nunca menos que nove em dez tentativas!

Acabou isto sendo a única coisa que eu fazia na qual meu irmão me invejava. E essa inveja não melhorou em nada nosso convívio.

Quando meu irmão sumiu de casa aos treze anos para se juntar de vez com os marginais que ele tanto admirava, achei que eu, finalmente, iria ter um pouco de sossego. Mas só estava certo em partes. Primeiro, porque a fuga de meu irmão fez mais estrago na saúde do meu pai do que todos os maços de cigarro que ele fumou a vida inteira. Segundo, porque meu irmão era o esqueleto em nosso armário: a cada encrenca em que ele se metia, lá ia meu pai (comigo a reboque), fazer das tripas coração para tentar livrá-lo.

Um dia perguntei pro meu tio Martinho porque meu pai simplesmente não largava o meu irmão apodrecendo na cadeia, que era o lugar dele. Nem sei porque cai na besteira de perguntar. Como meu pai sempre repetia e meu irmão adorava lembrar, lá veio a frase que sempre me atormentava:

- O que mais ele pode fazer? É o sangue dele, e o sangue sempre fala mais alto.

A ausência sempre presente de meu irmão acabava mais e mais com a saúde de meu pai. E quando ele aparecia, lá iam nossas economias para o bolso de advogados, para tirá-lo de trás das grades, ou para o bolso de algum bandido ou policial corrupto, pra quem ele estivesse devendo dinheiro ou favores.

Até no meu primeiro emprego o infeliz me atrapalhou. Consegui emprego numa agência de banco no centro da cidade e, com menos de um mês, não é que o pilantra e seus comparsas resolveram assaltar justo aquela agência?

Sobrou pra mim porque, durante a investigação, descobriram que eu era irmão de um dos assaltantes. Pronto! De funcionário exemplar, virei cúmplice! Passei uma noite na delegacia apanhando dos policiais pra contar aonde estava meu irmão.

Minha sorte é que ele e os bandidinhos pé-de-chinelo com quem ele andava foram pegos logo no dia seguinte. E o desgraçado não ia me inocentar, não. Como ele disse pro advogado, estava louco pra ver o irmãozinho cdf na cadeia, aprendendo a virar homem de verdade.

Foi meu pai que correu atrás do líder da bandidagem no pedaço e pediu pelo amor de Deus pra ele intervir por mim. Em troca da minha vida e da minha liberdade, meu pai deu o carro que ele comprara com tanto suor. O bandidão mandou meu irmão falar a verdade e eu acabei sendo libertado.

Perdi o emprego e minha vida profissional só não acabou ali porque eu abri uma empresa e comecei a trabalhar por conta. Sempre fui bom com computadores e logo estava ganhando um bom dinheiro.

Meu irmão, apesar de tudo que meu pai gastou com advogado, não escapou de pegar vinte anos de cadeia. Aquilo acabou com o que restava da saúde do velho.

Mas eu e mau pai ainda tivemos direito a um último momento de felicidade, antes que ele falecesse, no final daquele ano.

Em agosto, no final de semana do dia dos pais, disse a ele que fazia questão de passar aquele dia dos pais praticando tiro com ele, no sítio do tio Martinho.

- Mas filho, essa esposa nova do seu tio não vai dar sossego pra gente. Não viu o quanto ela reclamou do barulho na ultima vez que fomos lá?

Era verdade. Mas eu já tinha pensado nisso. E entreguei a meu pai uma caixa embrulhada em papel de presente.

- Feliz dia dos pais!

A cara de surpresa do meu pai me encheu de alegria, que aumentou ainda mais quando ele abriu a caixa.

- Você fez um silenciador caseiro! Filho, eu fico cada dia mais impressionado com a sua inteligência!

Pra mim, esse foi o final de semana mais feliz da minha vida. Fomos ao sítio do tio Martinho, gastamos umas três caixas de munição e eu pude descobrir que meu talento nato, apesar se ser completamente inútil para mim, continuava ali, intacto: mesmo sem disparar um tiro depois de tanto tempo, não errei um sequer naqueles dois dias.

xxxx

Meu irmão recebeu o indulto de natal para que passasse as festas de final de ano com a família. Pois assim que colocou os pés na rua, ele desapareceu.

Para meu pai, aquilo foi fulminante.  O velho soube da notícia da fuga de meu irmão de manhã e, lá pelas duas da tarde, já estava morto. O coração não agüentou mais aquela decepção.

Mal tive tempo de chorar a morte de meu pai. Fora a correria com os preparativos do enterro - ao qual meu irmão, obviamente, não compareceu - eu ainda tinha um sistema gigantesco de banco de dados para entregar na primeira semana de janeiro, e estava bastante atrasado. Além disso, meu pai me deixara mais um problema de herança.

Nossa casa fora construída sobre um córrego aterrado e o piso e as paredes da cozinha viviam caindo aos pedaços por causa da umidade. Meu pai decidiu que ia dar um basta naquilo antes do Natal. Contratou um pedreiro, já que ele mesmo não estava mais em condições de tocar uma obra daquelas.

Então, meu pai faleceu, me deixando o piso da cozinha completamente escavado, rebaixado em pelo menos meio metro de profundidade.

Naquela noite de sexta, eu estava me matando em cima do computador, tentando recuperar o prejuízo do meu trabalho. Foi quando ouvi a chave girando na porta da sala. O filho pródigo retornava à sua casa.

- Olá, irmãozinho!

- Estava esperando você aparecer. Tudo bem?

- Agora que eu tô fora daquela merda, tá ótimo! Tem algum rango aí?

- Da uma olhada aí na geladeira, acho que tem macarrão.

- Beleza!

Enquanto meu irmão comia fiquei pensando no que eu ia fazer agora. Foi quando ele me surpreendeu.

- Será que eu podia trabalhar com você na sua empresa?

Fiquei bestificado.

- Ué, você nunca gostou de computadores...

Sem parar de comer, ele respondeu:

- Cansei de me ferrar com o método antigo. Com um troco desses aqui - disse, apontando para meu notebook - um cdf como você entra nos computadores de um banco e rouba milhões sem suar uma gota!

Eu conhecia bem meu irmão, não sei porque me permiti um fio de esperança. Mas ele ainda não havia terminado:

- Ademais, agora que o pai se foi, você tem de cuidar de mim. E continuou comendo.

Ele falou calmo e pleno de certeza, como se tivesse repetido uma verdade universal inquestionável. Ele voltara, demonstrando claramente que não aprendera nada com tudo o que acontecera, e esperava que eu estivesse ali por ele, para carregá-lo nas costas, como meu pai fizera a vida toda.

Me desviando entre os móveis atulhados pela casa, cheguei até o armário. Meu irmão sequer olhou para ver o que eu estava fazendo. Não tirava a cara do prato.

- No mais, lembre-se do que o pai sempre dizia: o sangue sempre fala mais alto!

- Então esta na hora de fazer o sangue calar a boca!

Surpreso com minha resposta, finalmente meu irmão olhou para mim. E ficou surpreso ao me ver empunhando a automática do meu pai com o silenciador.

- Mas o que...

Atirei. E foi o tiro mais preciso de toda a minha vida. Acertei meu irmão exatamente no espaço entre as sobrancelhas. Ele caiu no chão como uma marionete que perdeu as cordas.

Joguei o corpo sem vida de meu irmão no imenso buraco em que se transformara o chão da cozinha. Confesso que, num arroubo de superstição, joguei sobre ele todo o conteúdo de um saco de sal grosso. Ele tinha a mania de estar sempre voltando, nunca se sabe...

Quando o pedreiro chegou na segunda-feira, encontrou a obra pronta. Paguei pelo serviço que ele fizera ate ali e o dispensei.

Não sei se foi o sal grosso, ou se realmente os mortos não voltam, ou se o diabo não deixou meu irmão dar uma voltinha fora do inferno, mas o fato é que morei o resto de minha vida na casa sem ser incomodado por mais nada ligado ao meu irmão.

O sangue finalmente se calara.

A canção de Leonildojogos de meninas

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A canção de Leonildo

Existem mais coisas entre o céu o a terra, Horacio, do que sonha a nossa filosofia. Shakespeare, seu filho da puta; entra neste grupo também Hamlet por ter dito esta maldita frase – que tenho dúvidas se através da pena de William ou se o infeliz tinha vida própria. Eu teria vivido muito bem sem levar este famoso trecho em consideração, sem ao menos saber que ele existia. Mas existe, e eu e meu velho amigo Leonildo sabemos muito bem disso. Se estivesse vivo, Leonildo estaria esbravejando da mesma forma que eu. Conhecia Leonildo desde pequeno, crescemos juntos, estudamos juntos, e até fomos para a faculdade juntos, embora tenhamos feito cursos diferentes. Depois da faculdade, nossas vidas também seguiram rumos diferentes, mas sempre mantivemos contato. Leonildo sempre foi mais inteligente, e mais criativo; assim, não foi surpresa alguma quando ele tornou-se escritor profissional. Quando começou, foi de forma despretensiosa, escrevendo contos e publicando-os na internet. Seguiu assim por alguns anos até que seu primeiro romance foi publicado. Foi do anonimato ao estrelato em apenas alguns anos. Era um dos poucos escritores que conseguia manter a média de um livro por ano, todos sempre liderando as listas de mais vendidos – o que era uma surpresa, levando-se em conta que Leonildo escrevia, pasmem, livros de terror. Este fato também contribuiu para aumentar a sua notoriedade. Mesmo com toda a fama conquistada, Leonildo não era adepto dos holofotes. Procurou manter o jeito reservado de sempre. Ao menos uma vez por mês nos encontrávamos, como nos velhos tempos, para atualizar os assuntos e jogar conversa fora. Nunca perdemos este hábito. Depois do seu quinto livro publicado, Leonildo começou a ficar estranho. Não mais nos encontrávamos durante os quatro primeiros meses do ano, período em que ele estava trabalhando em um novo livro. Embora antes isso não o afastasse de mim, neste espaço de tempo era como se Leonildo não existisse – era simplesmente impossível encontrá-lo! Somente quando finalmente entregava os originais para a editora é que os encontros voltavam à velha rotina. Eu podia perceber que além de sua aparência física desgastada – o que eu supus ser por conta do ritmo de trabalho –, em nossas conversas ele mostrava-se assustado, algumas vezes disperso. Eu poderia até dizer que algumas vezes ele parecia distante e paranóico. Um dia, em uma de nossas conversas, ele sentenciou-me algo que pareceu estranho, surreal, e fruto de uma mente perturbada, que provavelmente já não distinguia mais o real da porcaria que ele escrevia. Ele disse: – Preciso parar de escrever. Eu quero parar de escrever, mas eles não me deixam. Da última vez que tentei, fiquei desmaiado por dois dias no meu quarto. Quando acordei, fui direto para a minha mesa e escrevi sem parar, até terminar o romance. Não quero que eles me peguem novamente. – Não estou entendendo o que você quer dizer. Quem são eles? – perguntei. – Você não iria entender, ninguém iria entender. Todos pensam que eu escrevo aqueles livros, mas na verdade, apenas transcrevo aquilo que eles me pedem. Começou de forma inocente, mas agora, tornei-me escravo deles. Eles não me deixam parar. Antes que eu pudesse responder qualquer coisa, a conversa foi encerrada. Os olhos do meu velho amigo jorravam cansaço e tristeza. Passei uma semana amargurado por ele. No verão seguinte, durante o sumiço habitual de Leonildo, fui procurá-lo em sua casa, ignorando os pedidos que ele sempre fazia questão de reforçar quando chegava esta época. Eu estava realmente preocupado com a saúde de meu amigo, além de ter ficado intrigado com a estranha conversa que tivemos semanas antes. Entrei em sua casa sem ao menos bater à porta. Para não correr o risco de ser pego e mal interpretado, fui à noite. Ao entrar na escura sala, enquanto esperava meus olhos adaptarem-se à escuridão, fui surpreendido por uma estranha música; uma mistura de dança húngara com a tristeza que assombra algumas obras de Beethoven. Devo confessar, neste momento, que quase fiquei hipnotizado pela música. Recuperado do quase transe, dirigi-me ao quarto onde eu sabia que Leonildo estaria escrevendo. A porta estava aberta, e uma estranha luz violeta saía de dentro do aposento. A música que eu ouvi na sala estava agora em alto volume. Aproximei-me em passos leves, tomando cuidado para não chamar qualquer atenção. Quando cheguei à porta, fui tomado pelo pavor ao ver meu velho e pobre amigo sentado em sua cadeira, digitando alucinadamente no teclado. O ritmo lembrava mais um pianista executando uma obra de Chopin do que um escritor que trabalha as palavras. O mais estranho, se é que isso é possível, não era a velocidade com a qual ele digitava, e sim a sua cabeça, que dançava acompanhando a nefasta música, pendendo para esquerda, direita. Olhar o fundo de seus olhos foi o maior erro que cometi em minha vida. Ao invés de um olho comum, com íris, retina, tudo o que havia era uma imensidão azul-esverdeada que parecia mudar de cor acompanhado os graves da música. Por um tempo, minha presença não foi notada, mas logo ele me viu – ou me ouviu, pois duvido que aqueles olhos fossem capazes de ver qualquer coisa – me chamou, implorando por socorro. Sua voz emanava desespero, um pedido de um moribundo, eu diria. Ao entrar no quarto, senti uma estranha presença, mas não era capaz de ver nada. Senti alguma coisa roçando em minhas pernas, braços, e eventualmente, em minha barriga. Tomado pelo medo, aproximei-me de meu amigo na esperança de tirá-lo dali. Foi inútil, ele parecia pesar toneladas, e seus dedos pareciam magneticamente atraídos para o teclado. Cheguei perto de seu rosto ao vê-lo balbuciando algumas palavras: – Na minha gaveta... por favor... isso precisa parar... Abri a gaveta e encontrei um revólver, carregado. Olhei para ele, que suava e tinha sua pele definhada. Eu não tinha certeza do que fazer, mas aqueles olhos, por um momento, pareceram suplicar a ajuda que o libertaria. Não pensei duas vezes – e hoje me pergunto se tomei a decisão correta – e disparei contra sua cabeça. Sangue e miolos atravessaram a parede na mesma hora em que ouvi um grito que torceu a espinha e fez meu cérebro rodopiar duas vezes. A música cessou, e meu amigo, estranhamente, tinha um enorme sorriso em seu rosto. Hoje, sete anos após este bizarro incidente, ainda ouço aquela estranha música à noite, enquanto meu quarto assume uma estranha coloração violeta. Tenho escrito, algo que jamais imaginei fazer em toda a minha vida, e estou perto de assinar um contrato de publicação com uma grande editora. Não saio mais de casa – não por vontade própria, as portas e janelas, simplesmente, não abrem. A arma usada para libertar Leonildo, que eu tinha certeza que estava comigo, misteriosamente sumiu. Ao contrário de Leonildo, porém, eu não tenho ninguém que possa me visitar enquanto eu estiver escrevendo.jogos de meninas

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

A morte liga a cobrar

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Era uma uma noite escura e chuvosa naquela cidade, e na casa número 103 só estava um adolescente, ja que os pais haviam saído.O garoto estava sentado no sofá bebendo refrigerante, comendo pipocas e assistindo a um filme de terror quando o telefone tocou.

Ele resolveu atender, mas quando atendeu não havia ninguém na linha, então ele achou que era trote e continuou assistindo o filme. Então o telefone tocou novamente, ele atendeu e novamente não havia ninguém na linha, ja irritado, ele desligou.
Meia hora depois, o telefone tocou outra vez, desta vez a ligação era a cobrar e o garoto atendeu, pois achou que poderia ser importante, ele perguntou quem era, e uma voz seca respondeu:”é a morte”! o garoto pensou:”não acredito, outro trote”! e desligou o telefone.
Mas, quando ele se sentou no sofá de repente a pipoca caiu no chão, a garrafa de refrigerante quebrou, a tv desligou e as luzes piscaram até se apagarem totalmente, a esta alura, o jovem ja estava assustado, então ele olhou para fora da janela e viu um sujeito usando uma tunica ensanguentada com capuz e segurando com suas mãos de esqueleto uma foice suja de sangue se aproximar da casa,e ele resouveu colocar o sofá em frente a porta, para que o sujeito não conseguisse entrar, mas o sujeito(que era a morte) quebrou uma janela e entrou, e o jovem só teve tempo de gritar enquanto era degolado pela morte.
Uma hora depois, os pais do jovem chegaram em casa e ficaram apavorados ao ver o corpo sem cabeça do filho pendurado na escada, e se mudaram no dia seguinte.

Pesadelos

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Minha tataravó morreu em uma manhã cinza de inverno. Havia algum tempo ela vinha reclamando de dores no peito, mas o médico pouco pode fazer para ajudá-la. A medicina naquela época ainda era muito precária, as pessoas tinham que confiar somente no olho clinico do médico. Fizeram o velório ali em sua casa como era de costume e a enterraram antes do anoitecer.

Meu tataravô desolado voltou para sua casa, a morte levara sua parceira de tantos anos e agora ele seria um solitário já que os filhos eram adultos, casados e cada um tinha sua própria vida. Já era de noite quando ele estava na cozinha, iluminada somente por um lampião e algumas velas acesas na mesa de jantar, tentando fazer algo para comer no fogão a lenha quando escutou minha tataravó chorando no quarto e chamando seu nome. Era um choro misturado com gemidos de medo e quando ela chamava seu nome ela gritava “Emiro, me ajuda”, e mais choro. Ele ficou petrificado no lugar por alguns minutos até que criou coragem, pegou o lampião e foi andando de vagar até o quarto.

A medida que ele ia se aproximando do quarto o choro diminuía e quando ele chegou lá o choro parou completamente. Iluminou o quarto vazio e se assustou ao ver que a cama estava bagunçada, mas ele tinha certeza de que estava arrumada antes de ir para o enterro. Quando ele virou de costas para voltar a cozinha o choro começou de novo. Ele colocou a mão com o lampião para dentro quarto, mas pouco pode ver, pois a luz era muito fraca para iluminar todo o ambiente. Foi andando de vagar em direção a cama, passo a passo tentando ver algo. A primeira coisa que viu foram as pernas da minha tataravó, estavam cinza e se contorciam na cama. Meu tataravô teve vontade de iluminar o resto do corpo, mas o medo falou mais alto e ele saiu correndo em direção a cozinha e a voz chorosa que dizia “Emiro, me ajuda” foi silenciando até calar-se.

Ele saiu da casa e ficou na varando por horas, sentado em sua cadeira e fumando seu cachimbo. Nervoso e aterrorizado com os acontecimentos. Não tinha coragem de voltar para dentro da casa e tampouco podia ir para a casa de um dos filhos porque eles moravam longe. Acabou pegando no sono já em alta madrugada.

O pesadelo que se seguiu foi horrível. Minha tataravó estava viva dentro do caixão, arranhando a tampa tentando cavar uma saída enquanto suas unhas se desprendiam da carne e sua boca buscava o ar que ali já não existia mais. Pouco a pouco ela foi perdendo as forças até que seus olhos se arregalaram e seu corpo deixou de buscar oxigênio.

Ele acordou na varanda sufocando como se ele mesmo estivesse dentro do caixão. Desesperado, o pobre rolava no chão em busca do ar que aos poucos foi lhe voltando. Quando estava mais calmo e controlado decidiu ir até a casa de um de seus filhos e contar o ocorrido. Foi até a casa do meu tio-avô Ramiro que o acalmou dizendo que eram somente sonhos e que ele estava impressionado por causa de sua recente perda.

Não satisfeito, ele foi até o delegado da cidade e pediu a exumação do corpo que lhe foi automaticamente negada por não haver nenhuma razão convincente além de uma visão ou pesadelo como todos acreditavam.

Nos próximos dias ele teve o mesmo pesadelo e cada vez parecia ser mais real. E todos os dias ele voltava à delegacia para pedir a exumação do corpo que lhe foi negada até o dia em que chorando de desespero na frente do delegado, este lhe concedeu o pedido. Quando abriram o caixão todos gritaram deterror, tudo estava como meu tataravô tinha sonhado. A tampa do caixão arranhada, minha tataravó sem unhas, com a boca e os olhos escancarados.

A Menina do Bueiro

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Enquanto algumas garotas brincavam com seu corpo como se ela fosse uma boneca, Carmem pensava enquanto suas lagrimas escorriam pelo roto, “Por que elas fazem isso? Alguém me ajude”. Mas as impiedosas colegas de escola continuavam empurrando a menina e despejando palavrões vulgarizando sua pessoa.

“Sua CDF, é isso que você merece.” – gritava uma.

“Olha como ela é fraca, nem consegue se defender.” – gritou outra.

“Vamos jogar a esquisita naquele bueiro aberto, assim ela vai estar com seus familiares, ratos e baratas.” – disse uma delas com ar de perversidade apontando um bueiro aberto.

“Sim, lá é o seu lugar.” – disse a mais velha de todas cuspindo no rosto de Carmem.

Em meio a risadas e enquanto estava sendo puxada em direção ao bueiro, Carmem pensava, mas não conseguia entender por que era castigada por ser diferente. Ela era quieta, não tinha amigos, tirava notas excelentes e nunca criou confusão ou desrespeitou uma colega.

“Vai pro lixo sua idiota.” – foram as últimas palavras que escutou antes de ser atirada no bueiro.

As garotas davam suas gargalhadas diabólicas ainda gritando obscenidades a Carmem, esperando ela emergir do bueiro. Alguns minutos se passaram e a menina não aparecia, uma delas decidiu chamar a policia. Horas depois a policia retirou o cadáver de Carmem do esgoto, ela tinha batido a cabeça no concreto e quebrado o pescoço.

Alguns dias depois, na matéria principal do jornal quinzenal da escola lia-se “Carmem cai em bueiro e morre”. O assunto que desde o ocorrido era o mais comentado nas rodas da escola e o boato de que a menina teria sido jogada no bueiro era suspirado de ouvido a ouvido.

No dia seguinte da liberação do jornal, o autor da matéria, que era colega de Carmem e presenciou o assassinato, desapareceu. O mais estranho é que ele desapareceu durante a noite, além de morar no vigésimo andar não havia sinais que ele havia saído.

O tempo foi passando e algumas pessoas que contaram a história trágica e as assassinas foram desaparecendo uma por uma. A polícia investigou toda a escola e seus arredores, mas não achavam pistas dos desaparecidos. Até que um dia um dos policiais pesquisando na internet relatos da morte de Carmem, achou um blog de uma estudante que relatava com detalhes o acontecido, porém nesta versão ela dizia que Carmem foi assassinada por uma brincadeira maldosa das colegas.

E estudante era Liliane, ela foi interrogada e até acusada de estar desaparecendo com os outros colegas, mas a polícia não conseguiu provas contra ela. Em seu relato a polícia, ela disse que logo após Carmem morrer ela viu o espírito da garota sair flutuando do bueiro, mas não parecia mais ser a mesma. Seus olhos cheios de ódio e desejo de vingança, seu corpo agora deformado cheio de sangue e quando as assassinas foram embora, o espírito foi junto.

A história logo se espalhou, algumas pessoas riam de Liliane, outras acreditavam e tinham medo do fantasma de Carmem. Alguns alunos continuaram a desaparecer, um por dia e a única coisa que ligava uma morte com a outra era o fato deles ter contado sobre o assassinato como um acidente.

Uma mulher que morava em frente ao bueiro onde Carmem morreu chamou a prefeitura para investigar a peste que vinha de dentro desse bueiro. Pois o fedor insuportável que ele exalava estava mais forte a cada dia. Quando os trabalhadores abriram esse bueiro não acreditaram no que viram. Vários corpos de adolescentes mutilados e pelos corpos estava escrito, com o que a autópsia identificou sendo com as unhas, a frase “Mentirosos, eu não cai”.

Empresa Assombrada Parte 2

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No dia seguinte Denis chegou meia hora mais cedo para poder conversar com o guarda do dia.

“Bom dia Arnaldo, como vai?”

“Bem e você? Como foi sua primeira noite de vigia aqui?”

“Muito estranha, não quero que pense que eu sou louco, mas creio que vi coisas que não posso explicar.”

“Olha pode parar, o outro vigia noturno começou com essashistórias até que um dia saiu correndo no meio da noite e não voltou mais para trabalhar. Ligou e pediu que lhe enviassem os documentos assinar pelos correios, imagina, ele nem aqui quis voltar.”

“Ele dizia que via o espírito do doutor Flávio assombrando o prédio.” – disse a faxineira que limpava o chão por perto.

“Quem era esse homem?” – perguntou Denis.

“Para de colocar caraminholas na cabeça do Denis dona Maria, espíritos não existem.”

“Doutor Flávio era um dos donos da empresa, junto com o Maurício. Ele se suicidou aqui mesmo, as pessoas dizem que era porque a mulher o estava traindo, mas ela negou tudo. Maurício então tomou conta dos negócios até o filho do doutor Flávio, o Rodrigo, se formar e vir trabalhar aqui. Agora os dois gerenciam a empresa. Mas me conta, o que foi que você viu?” – perguntou a faxineira curiosa ignorando o pedido de Arnaldo.

“Nada de importante, deve ter sido impressão minha.” – respondeu Denis olhando o rosto desapontado de dona Maria. “Quando foi esse suicídio?”

“Doze anos atrás. Eu mesma limpei a sala depois do corpo ser retirado, eu acho que nunca chorei tanto em minha vida. O doutor Flávio era um homem generoso, foi ele que me deu o emprego e todos gostavam dele. Ninguém imaginava que um dia ele poderia fazer isso.” – disse Maria.

“Olha aqui a foto dos empregados na festa de natal do ano anterior ao suicídio. Esse era o Flávio, esse o Maurício e esse bonitão aqui sou eu.” Disse Arnaldo apontando uma foto.

Denis começou a tremer, observava a foto com terror, não somente tinha confirmado de que teria visto um fantasma, mas agora sabia da verdade sobre a terrível morte de doutor Flávio.

“Que isso Denis, parece que viu fantasma? Olha ai dona Maria, o homem esta pálido que nem papel.”

“Impressão sua e acho que já esta na hora de vocês irem.” – Respondeu Denis seriamente.

Ele sentou em sua cadeira a observar os monitores, porém sua mente estava longe, imaginando o que faria se o fantasma aparecesse de novo. E se conseguisse provas de que Maurício tinha assassinado Flávio. Iria limpar a imagem suja daquela família que a tantos anos vinha sofrendo com aquela mentira.

Denis decide ligar o rádio que até agora estava desligado por medo. Se o fantasma do doutor Flávio queria ajuda talvez se comunicasse novamente pelo aparelho.

Quando chegou a hora da primeira ronda, o vigia sentiu medo, estava aterrorizado com o fato de que poderia novamente ver o espírito do homem na janela, ainda mais com aquela ferida sangrenta na cabeça. Depois de bater o ponto confirmando sua ronda voltou-se para o prédio e para sua surpresa estava vazio. Ele sentiu um alívio, mas também ficou desapontado. “Será que me mostrei muito medroso e afugentei o espírito que precisava de ajuda?” perguntou a si.

Tentando tirar tudo da cabeça ele voltou ao seu posto. Sentou-se na cadeira e se serviu um pouco de café. Sentia-se feliz por não ter visto nenhuma assombração, talvez agora sua vida voltasse ao normal.

“Denis…” – disse uma voz masculina sussurrando bem perto de sua orelha.

O vigia saltou da cadeira deixando o café derramar em sua camisa. O medo era tanto que ele nem sentiu o café queimando sua pele. Ele olhou em volta, porém ali não havia ninguém. Os monitores e o rádio saíram do ar e somente o som e a imagem da estática apareciam. Alguns papeis que estavam por ali voaram de um lado para outro, uma sombra grande andava em sua direção.

“Me deixa em paz, eu não fiz nada para você.” – gritou Denis desesperado.

“Denis…” – repetia a voz no rádio.

Ele então correu para a porta tentando escapar do pandemônio que se formara ao seu redor. A porta que certamente não estava trancada era mantida fechada por uma força invisível. Tudo então se acalmou, Denis olhou ao redor e apesar da bagunça formada ali não via nada sobrenatural.

“Seis direita, quarenta e nove esquerda, quarenta e sete esquerda, trinta direita, nove direita.” – dizia a voz no rádio.

Denis olhou para os monitores e todos mostravam a sala de Maurício onde havia um cofre perto de sua mesa.

“Seis direita, quarenta e nove esquerda, quarenta e sete esquerda, trinta direita, nove direita.” – repetia a voz destorcida rádio.

Depois de ter anotado os números que possivelmente eram a combinação daquele cofre, ele se colocou a pensar nos riscos. O que teria naquele cofre de tão importante que um fantasmaqueria? O que faria se encontrasse algo?

Em um impulso levantou-se, foi até o cofre e o abriu com aquela combinação. Sentiu um calafrio e uma brisa leve passando por ele e uma das pastas que estavam dentro do cofre caiu no chão. Na capa da pasta estava escrito “Contabilidade Confidencial”. Voltando-se para a porta se assustou ao ver que o fantasma do doutor Flávio estava ali. Dando as costas o espírito saiu da sala, Denis correu a traz dele e o foi seguindo até que desapareceu na porta de um dos escritórios. O escritório era de Rodrigo, filho de Flávio. Ele entrou e decidiu que seria melhor deixar a pasta em cima de sua mesa, assim ele não teria que envolver-se quando a polícia chegasse.

No dia seguinte, Rodrigo chamou a polícia depois de analisar os papeis que comprovavam que Maurício havia roubado seu pai por anos e anos. Os policiais, agora sabendo a verdade sobre seus negócios ocultos ficaram desconfiados do suicídio de Flávio. Após horas de interrogatório e muita pressão conseguiram a confissão do assassinato.

De noite, durante sua primeira ronda depois de ter ajudado ofantasma Denis não sabia o que esperar. Quando olhou para o prédio viu o espírito novamente, este lhe acenou adeus, uma luz forte iluminou o lugar e foi diminuindo até se apagar. Denis entendeu que o espírito atormentado de doutor Flávio finalmente tinha encontrado a paz.

Empresa Assombrada Parte1

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Quando Denis recebeu o telefonema da empresa de contabilidade onde tinha se candidatado à vaga de vigia noturno gritou de felicidade, após vários meses desempregado era tudo o que ele precisava.

No dia seguinte às sete da noite ele já estava em seu posto, seu turno era de doze horas que não seriam tão monótonas, pois tinha trazido um radio a pilha para escutar enquanto vigiava os monitores das câmeras de segurança.

“Aqui é a sala de monitores, você passa quase toda a noite sentado e olhando os monitores das salas. O quadro de chaves da empresa esta do lado da porta no caso de você precisar abrir alguma, todas tem etiqueta. A cada três horas faça uma ronda no pátio ao redor do muro para checar se esta tudo nos conformes. Na esquina do muro na parte de traz tem um relógio que você tem que bater ponto, só assim sabemos que você realmente fez a ronda.” – disse o vigia do dia explicando as regras do serviço.

Denis sentou-se na cadeira, ligou seu radio e fixou o olhar nos monitores. Algumas horas depois já com os olhos ardendo olhou para o relógio e realizou que já tinha passado alguns minutos do horário da ronda. Pegou sua lanterna e foi para o pátio e começou a andar ao redor do lugar, em um momento ele olhou para o prédio e viu o que parecia ser a silhueta de um homem no segundo andar olhando para ele.

“Quem está ai?” – gritou Denis correndo em direção ao prédio.

Ele correu para a sala de monitores e observando-os viu que não tinha ninguém em nenhum lugar do prédio. Seria sua mente pregando uma peça? Sentiu medo e solidão, estava de noite e não havia ninguém por perto e ele tinha certeza que viu alguém na janela então decidiu ir até o segundo andar para averiguar.

Quando ele saiu do elevador acendeu todas as luzes que pôde e começou a andar pelo lugar. A principio não ouviu nem viu nada. Continuou andando e notou que estava se aproximando da sala onde teria visto a pessoa, sacou a pistola por precaução, tentou abrir a porta, mas esta estava trancada. Pegou o molho de chaves quando escutou um barulho, a porta tinha aberto. Seu sangue gelou, mas ele foi em frente e entrou devagar, o rangido da porta fez seu corpo arrepiar de medo. Ele entrou na sala que estava vazia e escura, procurou o interruptor para ascender à luz, porém não encontrou.

Ele continuou andando na sala procurando algum vestígio da pessoa que vira alguns momentos atrás. Sem sucesso em sua busca ele ficou mais tranqüilo, pois tinha medo de ter problemas já no primeiro dia. Chegou perto da janela e olhou para o pátio vazio, novamente sentiu medo por estar só. Escutou um barulho de papel e quando se virou viu alguns papeis voando de uma das mesas.

“Deve ser o vento.” – pensou ele enquanto seu subconsciente lhe avisava de que não havia janelas abertas e não havia nenhuma corrente de ar. “Deve ser o vento.” – repetiu em voz alta.

Depois de voltar à sala de monitores, Denis colocou um pouco de café em sua xícara, aumentou o volume do rádio e voltou-se para os monitores, tudo calmo como era de se esperar.

“Desgraçado…” – gritou uma voz masculina no rádio com uma mistura de estática em meio a música fazendo o vigia saltar da cadeira.

A música continuou por alguns segundos.

“Você vai morrer e ninguém saberá.” – disse uma segunda voz.

A música continuou por mais alguns segundos e um som de disparo fez com que ele saltasse da cadeira outra vez. A música seguiu como se nada tivesse acontecido.

Já era uma hora da manhã e hora da próxima ronda. Denis não tirava as vozes que tinha ouvido no rádio da cabeça. Tentava enganar-se dizendo que tudo era fruto de sua imaginação, mas no fundo sabia que as vozes tinham sido reais. Com medo saiu para a ronda.

Depois de bater o ponto no relógio do muro voltou-se para o prédio e novamente viu a sombra no segundo andar. Desta vez não perguntou nada, ficou olhando a sombra e imaginando se alguma coisa estava criando aquela sombra, mas mal terminou de pensar e as luzes do prédio foram acendendo, sala por sala até que a sala onde a sombra estava se iluminou. Denis deu um grito de terror. A visão era terrível, um homem de terno cinza e camisa branca, com um furo na testa sangrando. O sangue escorria por seu rosto e molhava sua camisa. Andando para trás o vigia tropeçou no concreto que separava o asfalto da grama e caiu no chão, ao olhar novamente para o prédio seassustou vendo que estava novamente vazio e escuro.

Ele voltou ao seu posto e começou a observar o monitor da sala do segundo andar onde estava o suposto fantasma, mas a sala se encontra vazia. De repente a imagem desaparece e um sinal de estática toma conta da tela, em seguida uma nova imagem aparece, porém desta vez a imagem não é como a que vira antes.

Os móveis eram diferentes, mais antigos. Denis vê um homem abrindo um cofre e retirando uma pasta cheia de papeis, ele tinha certeza que este homem era o que vira na janela. O homem senta em uma das mesas e começa a ler os documentos. Um tempo depois outro homem entra na sala, pelos gestos que faziam dava para notar que estavam discutindo. O primeiro homem saca um revolver do bolso, a música do rádio novamente era interrompida e Denis escutou “Desgraçado”, que parecia ter sido dita pelo homem com a arma. O segundo homem da um salto para cima do primeiro e eles começam a lutar, depois de um tempo lutando o primeiro é desarmado. O segundo homem aponta a arma para seu oponente. Denis escuta “Você vai morrer e ninguém saberá” vindo do rádio e em seguida um disparo. Na tela, o atirador limpa a arma, a joga perto do corpo e sai da sala. O monitor volta a mostrar uma sala vazia e escura.

Onde Está o meu filho?

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Alguns anos atrás uma moça de vinte e oito anos estava internada nesse hospital com câncer em estado avançado. Ela estava grávida de sete meses e meio quando a internaram pela ultima vez, seu marido havia morrido três meses antes em um acidente de carro. Ela cresceu em um orfanato em São Paulo e não tinha família. Os empregados do hospital se comoveram com sua história e todos faziam o possível para alegrá-la, porém nada adiantava. Sua tristeza pela solidão e o fato de que talvez nem conheceria seu filho pois o preço de dar a luz a criança poderia ser sua vida, e ela estava disposta a pagar.

Alguns dias depois de ser internada ela veio a falecer. Os médicos conseguiram salvar o bebê e o nomeou João, em homenagem sua mãe que se chamava Joana. Uma das enfermeiras do hospital começou com o processo de adoção do bebê, pois seu marido não podia ter filhos e ela viu a oportunidade para ter um filho, depois de quatro meses a adoção foi concedida.

A verdadeira mãe da criança parece que não se esqueceu do filho nem depois da morte. Laura (nome fictício da enfermeira que adotou o bebê) estava de plantão quando um paciente veio falar com ela.

“Alguém tem que tirar aquela mulher do meu quarto”.

“De que mulher o senhor esta falando?”

“Aquela doida que esta gritando comigo e perguntando “onde esta o filho?”.”

Laura foi até o quarto do paciente e não havia ninguém lá. Ela chamou o médico que disse que ele poderia estar alucinando e o sedaram. Quando ela voltou para seu posto seu telefone tocou, ela atendeu, seu corpo estremeceu de terror. A voz feminina vinda do outro lado lhe era conhecida.

“Onde esta meu filho? Por que você o tirou de mim?” – questionava a voz chorosa do outro lado da linha.

Laura começou a rezar. O fantasma da moça a estava assombrando, mas nada adiantou. Outras pessoas começaram a relatar que haviam visto o fantasma.

O tempo passou e Laura continuava vendo e escutando a verdadeira mãe de seu filho. Os pacientes da ala de câncer também continuaram a ver as aparições. O hospital tentando encobrir disse que era efeito de um medicamento para câncer, mas a população daqui não acreditou. Meses depois mudaram a ala de câncer para um prédio novo, mas o fantasma foi junto e as pessoas continuaram a ver o fantasma. Laura se demitiu e nunca mais viu o fantasma da mulher. Mas dizem o hospital ainda continua assombrado. Vários empregados do hospital já a viram andando pelos corredores do hospital perguntando pelo filho, os pacientes dizem que escutam alguém tocar na porta, mas quando abrem não tem ninguém.

Ajuda

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Janaina entrou em seu quarto para dormir, como todas as noites ela assistia um pouco de televisão até que o sono chegasse. Nesse dia passava um filme que terror que ela já tinha assistido anteriormente onde uma mulher ajudava espíritos a resolver seus problemas na terra para que eles pudessem passar para outro plano.<

“Que legal deve ser ver espíritos, queria poder ajudar as pessoas também.” – pensou ela.


Nesse momento ela sentiu um vento frio tocar seu rosto, para seu espanto a janela do seu quarto estava fechada e ela sabia que nesse dia não fazia tanto frio. Não dando muita importância ao fato desligou a televisão e foi dormir.

As três da manhã ela acordou de um pesadelo, não se lembrou o que era, mas continuou com medo porque sentia algo estranho. Ela olhou para um canto do quarto que ficava atrás da porta quando ela estava aberta e viu a sombra de uma pessoa, não podia ver quem era então gritou. A sombra se moveu em sua direção, Janaina pode ver que era uma mulher e estava vestida com uma roupa suja de hospital, mas não pode ver detalhes de seu rosto devido à escuridão. A porta do quarto se abriu e a luz ascendeu.

“O que foi filha?” – perguntou seu pai.

“Acho que tinha um espírito no meu quarto, estou com muito medo pai, fica aqui comigo um pouco.”

“Foi só um pesadelo, volte a dormir” – respondeu seu pai fechando a porta do quarto e apagando a luz.

Ela rolou na cama por um tempo, mas dormiu até que sentiu alguma coisa agarrando-lhe os pés. Ela a olhou e viu aquela mesma mulher no pé da cama arranhando seu corpo. Ela era pálida e seu rosto estava cheio cortes abertos, seus olhos expressavam raiva e tristeza.

“Você se ofereceu para me ajudar, agora estou aqui” – disse a fantasma.

“Não, eu não posso te ajudar, vai embora e me deixe em paz.” – gritou Janaina enquanto chorava.

O fantasma da mulher deu um berro de terror e saltou em cima de Janaina que desmaiou. De manhã ela contou tudo para os pais que não acreditaram na história. Nos dias seguintes ela viu o fantasma da mulher varias vezes, mas o ignorou até que um dia e fantasma não apareceu e Janaina nunca mais o viu e a partir daí nunca mais se ofereceu para ajudar nenhum fantasma.

Árvore Das Almas

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Arvore Assombrada

Essa é uma Lenda Urbana muito antiga, perdida no tempo que uma senhora me contou quando eu era pequeno, espero que gostem.

Por volta de 1845 em uma cidadezinha do interior de Minas Gerais, havia essa Lenda Urbana sobre a árvore das almas. Tal árvore ficava em um bosque atrás da cidade, ela era enorme e oca. Tinha uma passagem imensa onde as pessoas podiam entrar dentro.

Nessa época acreditava-se que a árvore era abrigo para centenas de almas de mulheres as quais a origem é desconhecida. Acreditava-se também que elas eram as guardiãs da cidade, mantinham os maus espíritos longe e ajudavam a cidade a prosperar. Uma vez por ano, na sexta-feira santa a meia noite, elas saiam da árvore para uma procissão pela cidade. Caminhavam por todas as ruas da cidade, cada uma com sua vela na mão dando sua benção. Os moradores por sua vez, em respeito às mulheres deveriam ficar dentro de casa, com as janelas e cortinas fechadas até que a procissão terminasse.

Em uma dessas procissões, uma garota da cidade resolveu olhar pela janela. Ela ficou maravilhada, centenas de mulheres vestidas de branco, com uma vela grande na mão, recitando algo que não se podia ouvir. Ela notou que as mulheres não eram seres comuns, pois seus corpos eram meio transparentes e luminosos.

Maravilhada com o que vira, ela abriu sua janela, saltou e foi seguindo as mulheres. Quando a procissão terminou as mulheres voltaram para o bosque. A garota hesitou um pouco em segui-las, mas pensou, se já foi tão longe era melhor ir até a árvore.

De longe e atrás de alguns arbustos ela avistou a árvore e as mulheres foram entrando dentro e desaparecendo. A última mulher da fila parou antes de entrar, virou-se para a garota e olhou-a nos olhos e começou a andar em sua direção. A garota por alguma razão não sentiu medo e esperou o fantasma se aproximar. A mulher lhe estendeu a vela.

“Um presente por sua coragem.” – disse a fantasma sorrindo.

“Obrigado.” – respondeu a garota sem reação.

A mulher voltou para a árvore, antes de entrar olhou a garota novamente e desapareceu. Quando a garota olhou de novo para a vela, esta tinha se transformado em um fêmur. Assustada ela correu para casa e contou a seus pais o que havia ocorrido.

Os pais muito preocupados a mandaram de volta ao bosque e disseram que ela deveria enterrar o fêmur de baixo da árvore, pois eles não queriam um osso humano em casa. A menina foi vista pela última vez entrando no bosque. Suas pegadas podiam ser vistas até a árvore, mas ali ela não estava.

Diz a lenda que a garota pode ser vista durante a procissão, ela vai levando sua vela, no último lugar da fila das mulheresfantasmas.

Mudança

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Julia e Rodrigo se mudaram para um apartamento novo. Estavam juntos há sete anos e eram muito felizes. Apesar de não terem muito dinheiro a oportunidade de compra apareceu inesperadamente e a proposta foi irrecusável, os antigos donos que se mudaram para outra casa e venderam o apartamento pela metade do valor real do imóvel e disseram que o pagamento poderia ser feito em seis meses.

Depois de dois dias morando lá, Rodrigo saiu para trabalhar e Julia ficou em casa, pois era seu dia de folga. Segundos depois que Rodrigo saiu Julia escutou um movimento na sala e pensando que seu marido havia regressado. Para sua surpresa a sala estava vazia e ela ficou com medo de ficar ali. Ela estava no quarto quando escutou um sussurro.

“Fecha a porta do quarto, rápido” – disse a voz.

Nesse momento ela escutou uma voz grossa no corredor que dava para seu quarto.

“Estamos sozinhos, eu posso fazer de você o que quiser.” – disse seguido de uma risada macabra.

Julia agiu rápido e fechou a porta e quando olhou no corredor não viu ninguém e começou a chorar notando que estava sendo assombrada por espíritos malignos. Estava trancada no quarto, sem telefone e sem ajuda. Ali ela ficou por horas e horas até que Rodrigo veio para o almoço.

Ele bateu na porta do quarto e Julia abriu, ela explicou tudo o que aconteceu. Rodrigo pensou que a mulher deveria estar sonhando ou delirando mas ele decidiu ficar em casa o resto do dia.

Já de noite Rodrigo estava no banho, quando sentiu uma mão tocando seu ombro, ele se assustou e virou para ver quem era, mas só encontrou o vazio. Quis sair correndo mas não queria deixar a mulher mais impressionada. Ele sentiu que algo não estava certo, o terror o tomou completamente até que escutou uma voz.

“Mate sua esposa, ela esta te traindo com seus amigos, vai tomar todo seu dinheiro e te jogar na sarjeta, sai daqui e a enforque, mate-a, mate-a, ela só quer seu mal.” – escutou ele repetidas vezes.

Sem muito controle de si e já hipnotizado ele sai do banheiro e vai até o quarto onde Julia estava deitada na cama assistindo televisão.

“Põe roupa seu pervertido.” – falou Julia sorrindo. “Algo errado Rodrigo? Que cara é essa?” – questionou ao ver a feição do marido.

Rodrigo pulou na cama em cima de sua esposa e começa a estrangulá-la. Julia tentou gritar mas seu grito não podia passar pela garganta que estava sendo esmagada. Ela olhou ao redor de si e viu varias pessoas, todos vestidos de preto e davam gargalhadas ao ver a situação da mulher, ela pode então entender o que estava acontecendo, seu marido estava sobre a influencia de maus espíritos. Ela viu uma luz do lado de sua cama, e sua avó, que faleceu quando ela ainda era um bebê estava do seu lado. Julia pensou que estava morta e sua avó teria vindo buscá-la.

“Segura na minha mão filha e repete o que eu disser, dentro de sua cabeça somente, não em voz alta.” – disse a senhora, começando a cantar o que parecia uma musica de oração.

Aos poucos Julia foi retomando sua força e viu os espíritos que atormentavam seu marido, porém eles não riam e sim gritavam. Rodrigo caiu do lado da cama desmaiado e quando Julia olhou para cama, sua avó já não estava mais lá junto com todos outros espíritos. Ela correu até o telefone e ligou para sua irmã, que era uma médium e estava acostumada com tal assunto.

Quando sua irmã chegou ao lugar andou por todos os cômodos, parecia estar muito assustada.

“Julia, você e Rodrigo tem que sair do apartamento agora e não voltem mais, mesmo que eu tente limpar-lo, espíritos das trevas sempre irão retornar para te atormentar. As macumbas e rituais demoníacos que foram feitos aqui marcaram o apartamento para sempre.” – disse sua irmã.

Quando Rodrigo acordou ela contou tudo a ele e mostrou as marcas dos dedos no seu pescoço. Furiosos eles pegaram algumas coisas pessoais e saíram do apartamento para nunca mais voltar. Porém iriam até a casa dos antigos donos tirarem satisfação.

Chegando lá Rodrigo bateu na porta da casa que estava escura e parecia vazia. Muito nervoso por quase ter matado sua esposa ele chuta a porta até arrombá-la. Quanto os três entram na casa viram que estava totalmente vazia.

“Não mora ninguém nessa casa a mais de vinte anos. O casal de velhos que moravam aqui morreu há muito tempo, os filhos nunca entraram na casa, tinham medo de…” – disse uma voz vinda da porta de entrada.

“Eu estive aqui há dois dias e eles estavam vivos, me venderam um apartamento e…” – gritou Rodrigo mas foi interrompido pelo homem na porta.

“Eu te vi aqui, você conversou sozinho o tempo todo, achei que você era louco. Como ia dizendo, o casal era muito rico, diziam que tinham pacto com o diabo e me ofereceram por varias vezes para fazer o mesmo, eu como bom cristão me afastei deles, mas sempre eu via que vinham pessoas aqui e eu podia escutar os gritos de tortura e encantos diabólicos, por varias vezes chamei a policia, mas nunca encontraram nada, os dois filhos que tinham os abandonaram ainda muito jovens, quando os pais morreram doaram os móveis, mas eu nunca os vi entrar na casa.” – disse o homem.

“Vocês foram vitimas desses espíritos, provavelmente queriam o espírito de Rodrigo.” – disse a irmã de Julia.

Rodrigo deu um grito de terror. Quando os outros olharam, ali estavam os dois velhos com olhos vermelhos e sorriso tenebroso. Os quatro correram para fora da casa e fecharam a porta. Julia e Rodrigo se abraçaram por um longo tempo tendo em mente que agora deveriam recomeçar a vida do zero.

Dizem por ai que o casal continua a procura de almas para coletar, então cuidado, a sua pode estar sendo observada agora mesmo…

A Lenda do Corpo Seco

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O “Corpo Seco” é uma assombração cuja lenda, relativamente recente, de meados do século XX, é contada em São Paulo. “Nem a terra aceita receber as pessoas que maltratam seus pais”. Este foi um homem chamado Zé Maximiano, morador do município de Monteiro Lobato, região da Serra da Mantiqueira, conhecido por bater no pai e na mãe.
Quando morreu, supostamente de “morte matada” (assassinado), foi enterrado no cemitério Municipal, porém, foi rejeitado pela sepultura e passou a assombrar o local. Por este fato acharam por bem transferir o corpo para um lugar ermo e, por recomendação do padre da cidade, decidiram por uma gruta cuja entrada era delimitada por um córrego, pois, a lenda dizia que tal entidade não atravessa a água. Um amigo do defunto, Pedro Vicente, encarregou-se de fazer o transporte. O corpo foi colocado em um balaio e, ainda por recomendação do padre, Pedro levou consigo uma vara de marmelo, pois havia risco do morto se rebelar e, nesse caso, o jeito era bater-lhe com a vara. Dito e feito, o Corposeco tentou agarrar o amigo a fim de matá-lo, mas foi repelido com varadas.
Diz o povo que entes como Corposeco agem nas noites de sexta-feira à meia noite. Aparece na beira dos rios e açudes e se alguém aparece, pede para ser transportado para a outra margem. Em troca, promete revelar o esconderijo de um tesouro. Seja no barco ou nas costa do benfeitor, quando está no meio do curso d’água, a assombração começa a pesar e assim, afunda pequenas embarcações ou a pessoa que o carrega nas costas matando sua vítima por afogamento. Outros contam que ele fica nas estradas tocaiando os transeuntes dos quais, ao modo dos vampiros, chupa o sangue para se manter na Terra evitando, deste modo, ser tragado para os quintos dos infernos.
Há ainda relatos do Corposeco nos estados do Paraná, Amazonas, Minas Gerais, em alguns países africanos de língua portuguesa, relatados por soldados brasileiros veteranos da missão UNAVEM III e na região Centro-Oeste do Brasil, principalmente.
Em Ituiutaba, Minas Gerais, há uma variação desta lenda, onde conta-se que o Corposeco, depois de ser repelido pela terra várias vezes, é levado por bombeiros à uma aparente caverna em uma serra que fica ao sul do município. Dizem que quem passa à noite pela estrada de terra que margeia a “serra do Corposeco”, consegue ouvir os gritos do Corposeco ecoando de dentro da caverna. Nesta versão a mãe o amaldiçoa antes de morrer, por ter sido usada como cavalo pelo filho.

Creepypastas:A Casa de Guetta

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Essa história aconteceu quando eu tinha acabado de me casar (a uns 10 anos atrás). Uma emergência na família forçou o meu marido e eu a nos mudarmos de Santa Catarina para São Paulo. Mas por falta de tempo para procurar algum lugar para morar, acabamos indo morar com o meu cunhado, a mulher dele e os dois filhos deles. Eles tinham uma filha de 4 anos, a Aline, e um recém nascido, o Lucas. Imediatamente eu e a Aline nos demos muito bem. Eu não gostaria de dizer que ela era ignorada, mas a maior parte da atenção da família ia para o Lucas, e a Aline geralmente ficava de fora nos planos deles. Ela era muito solitária e triste quando eu conheci ela. Eu sempre via ela brincando sozinha e falando com uma amiga imaginária que ela chamava de Gretta. Quando eu comecei a passar mais tempo com ela, coisas estranhas começaram a acontecer pela casa. Mas essas coisas não aconteciam simplesmente ou a qualquer hora. Elas sempre aconteciam quando o meu marido e o irmão dele não estavam em casa. Então só a Aline, a mãe dela o Lucas e eu estávamos na casa quando as coisas aconteciam. Começou de uma maneira simples, apenas via coisas pelos cantos dos olhos. As vezes quando eu estava brincando com a Aline na sala, eu podia ver o vulto de alguma pessoa em pé, à minha esquerda. Mas sempre que eu virava, não tinha ninguém lá. E também sempre que eu estava com a Aline em casa, eu sentia como se tivesse alguém me observando. Eu comecei a ficar extremamente incomodada com isso, mas como parecia não incomodar a Aline, eu achava que estava exagerando e tentava ignorar o que quer que fosse. Assim que o meu marido chegava em casa, toda a sensação de estar sendo observada sumia, e a Aline parecia ficar incomodada com a presença dele. Ela ficava emburrada pela casa e não deixava ninguém, nem mesmo eu, chegar perto dela. Numa noite, quando eu estava toda relaxada e quase dormindo, eu ouvi o que parecia ser o murmúrio de uma conversa, que parecia estar vindo do quarto da Aline (que ficava do lado do nosso). Eu imaginei que ela pudesse estar falando enquanto dormia. Eu tentei ignorar a conversa, mas a minha curiosidade acabou me vencendo. Eu comecei a prestar atenção no que ela falava, mas era difícil ouvir da minha cama. Tudo o que eu podia ouvir era o som da voz dela, mas não conseguia identificar nenhuma palavra, já que ela falava tão baixinho. Então eu notei que a luz do quarto dela estava acesa. Eu olhei o relógio digital do lado da nossa cama eram 23:49 (sim, eu me lembro da hora exata). O que poderia uma garota de 4 anos de idade estar fazendo acordada a essa hora, eu pensei, então eu me levantei e fui ver. Como eu já imaginava, ela estava acordada, sentada na cama. Eu perguntei para a Aline o que ela ainda estava fazendo acordada. Ela sorriu “A Gretta gosta quando eu brinco com ela de noite, então ela me acorda!” ela falou. Aquilo, de alguma maneira, soou um pouco perturbador nos meus ouvidos. “Você estava falando com ela agora?” eu perguntei. Ela fez que sim com a cabeça e sorriu de novo. “Então fala para a Gretta que ela pode brincar com você amanhã, e que é para ela deixar você dormir agora.” eu falei, enquanto saia do quarto dela, mas ela m fez parar no meio do caminho dizendo “Eu não posso brincar com a Gretta amanhã, ela fica brava quando eu brinco com você. Ela não gosta de ser ignorada.” “Vai dormir Aline!” eu falei em um tom mais severo. Enquanto saia do quarto dela eu senti um arrepio subindo pela minha espinha, algo me dizendo que alguma coisa lá não estava certa. E isso foi apenas o começo de tudo.Na manhã seguinte eu decidi ter uma conversinha com a Jane (a mãe da Aline) sobre a Aline. Eu perguntei a ela se a Aline costumava muito inventar histórias sobre a Gretta, a amiga imaginária dela. A Jane me olhou confusa e falou que a Aline nunca tinha mencionado nasa sobre Gretta ou amiga imaginária nenhuma para ela. E a conversa acabou parando por ai, antes mesmo de começar. Era difícil perguntar para a Aline sobre a Gretta. Sempre que eu fazia isso ela parecia ficar irritada e nunca me dava uma resposta coerente ou direta. Enquanto isso, a sensação de estar sendo vigiada continuava, e outras coisas começaram a acontecer. A TV nunca parecia ficar em um canal só quando a Aline estava assistindo. E enquanto eu ficava assustada e apreensiva com isso, ela parecia se divertir e só ficava rindo. Sempre que eu passava pelo quarto dela, eu tinha a impressão de que tinha alguém lá dentro, e sempre que eu entrava para dar uma olhada, nunca tinha ninguém. Em algumas ocasiões, eu cheguei a ouvir passos no quarto dela, quando eu sabia que nem ela nem ninguém estava lá. Um dos acontecimentos mais bizarros aconteceu perto do aniversário dela. Eu tinha comprado um esmalte que brilha no escuro para a Aline, mas antes que eu pudesse dar a ela, ele desapareceu. Eu tinha acabado de deixar em cima da mesa da sala e tinha me virado por alguns segundos, quando eu olhei de volta, tinha sumido. Em poucos segundos. Eu procurei pela sala inteira, e até pelo resto da casa, mas depois de um tempo eu desisti e resolvi que ia comprar outro para ela no dia seguinte.Uma coisa que é importante esclarecer é que eu não tinha contado para ninguém sobre o esmalte que eu tinha comprado para ela e quando eu cheguei com ele, não tinha mais ninguém na casa além de mim. Mais tarde (BEM mais tarde, já era quase meia noite) eu estava deitada na minha cama e ouvi a Aline falando sozinha de novo. A luz do quarto dela estava acesa, mas assim que eu me levantei para ir para lá, a luz se apagou. Determinada a ver o que estava acontecendo eu fui até lá. Quando eu entrei no quarto dela os pêlos do meu corpo se arrepiaram, eu sentia algo estranho, como se tivesse mais alguém lá dentro com a Aline. Ela estava deitada na cama fingindo que estava dormindo (ela estava fingindo que estava roncando). “Aline eu ouvi você falando, o que você ainda está fazendo acordada?” eu perguntei. Ela continuou quieta fingindo que estava dormindo. Mas então eu falei mais firme “Aline!”, e então ela respondeu “A Gretta estava me mostrando o presente que ela arranjou pra mim.” Quando ela tirou as mãos debaixo das cobertas, eu vi que as unhas dela estavam brilhando. Eu acendi a luz e falei “Onde você arranjou isso?” meio desnorteada tentando descobrir como ela tinha achado aquele esmalte depois que eu revirei a casa toda. Então ela falou “A Gretta que me deu!” Quando eu ouvi isso, eu não sei por que, me irritou profundamente. “Eu já estou cansada de ouvir dessa Gretta. A Gretta não existe, agora me fale a verdade, onde você conseguiu esse esmalte?” Antes que a Aline pudesse me dizer alguma coisa eu senti uma respiração na minha nuca. Era gelada e me fez ter arrepios pelo corpo inteiro. Eu fiquei paralisada de medo. A Aline agora estava quase chorando “Agora você deixou a Gretta brava!” ela falou. Tinha alguém atrás de mim, mas eu não queria me virar para olhar quem ou o que poderia ser. Então eu pude ouvir com muita clareza uma voz feminina sussurrar no meu ouvido “SAIA”. Eu não precisava ouvir uma segunda vez, eu sai correndo tão depressa do quarto da Aline que eu quase tropecei no meu próprio pé.Quando eu entrei no meu quarto, eu estava completamente confusa e sem saber o que fazer. Resolvi que o melhor era voltar para a cama e dormir. Na manhã seguinte eu falei para o meu marido tudo o que estava acontecendo com a Aline. Ele ouviu tudo, quieto, e não tentou arranjar qualquer explicação para nada. Só ficou quieto, e depois de um tempo pensando ele falou que nós iríamos nos mudar em breve e que não era para eu me preocupar com nada. Eu me senti culpada deixando a Aline sozinha com a Gretta, então eu falei para o meu cunhado o que tinha acontecido. Assim que eu mencionei o nome “Gretta”, ele ficou com o rosto pálido, quase sem expressão. Ele falou que Gretta era a mulher do antigo dono da casa, mas que ela já tinha morrido a alguns anos, e que só ele sabia disso, nem a esposa dele sabia sobre isso. Então, como é que a Aline poderia saber sobre a mulher? Então eu disse a primeira coisa que me veio na cabeça. “Preste mais atenção na sua filha, por que se você não prestar, alguém mais vai.”

Creepypastas:O Mistério da Piscina

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Quando eu tinha 10 anos, os meus pais me colocaram para ter aulas de natação em uma academia em São Paulo. A piscina tinha tamanho olímpico, uma parte rasa e uma parte funda com três trampolins em uma plataforma, um mais alto do que o outro. Tudo estava indo bem, até o professor nos levar para treinar nos trampolins. No trampolim mais baixo eu não tive problemas, usava ele numa boa. Então chegou a hora de usar os trampolins mais altos. Enquanto eu subia a escada eu estava ansiosa para pular lá de cima. Mas quando eu subi na plataforma mais alta e olhei lá para baixo, eu vi algo na água.
Um garoto estava deitado no fundo da piscina. Ele estava virado para baixo e não se mexia. Ele estava pálido e eu tive a impressão que ele estava lá já havia algum tempo. Eu gritei e avisei o professor o que eu estava vendo, e então todos saíram da piscina e foram para a área seca, e o professor pulou na água, só que não achou ninguém lá embaixo. Enquanto isso eu descia da plataforma, e quando cheguei no chão e olhei para a piscina, não tinha mais ninguém lá embaixo, só o professor. Ele ficou muito bravo comigo, mas não me deu uma bronca muito grande, pois achou que eu tivesse visto algum dos garotos nadando lá embaixo, ou que era a minha imaginação arranjando alguma desculpa para não pular lá de cima. Em qualquer caso, as aulas do dia tinham acabado.
Na aula seguinte, nós começamos a nadar seguindo as faixas pretas dos azulejos escuros no fundo da piscina. Nós começávamos no raso, nadávamos até o fundo e voltávamos. Quando eu cheguei no fundo, eu fiquei assustada quando vi o mesmo garoto deitado no fundo da piscina. Eu parei de nadar e fiquei apenas olhando ele com a cabeça dentro da água. Ele realmente não estava se mexendo. Então eu continuei nadando e quando cheguei na beirada da piscina eu sai da água. O professor falou para eu voltar para a piscina e terminar o exercício, mas eu falei que não ia até que aquele garoto saísse de lá. Ele foi até onde eu estava e falou que eu tinha que superar o meu medo de ir para a parte funda da piscina. Eu falei para ele que eu não tinha medo, mas eu não queria ficar lá com aquele garoto no fundo da piscina. Ele me colocou na beirada da piscina e falou para eu apontar exatamente aonde estava o garoto. Quando eu olhei para a água, ele não estava mais lá. O professor me colocou de volta na água e falou para eu continuar nadando, que o resto da classe estava me esperando terminar. Quando eu comecei a nadar de novo, eu coloquei a cabeça na água e então vi o garoto lá embaixo de novo. Mas dessa vez eu continuei nadando e sai na parte rasa, me juntando aos outros alunos.
Durante o resto da aula naquele dia, eu ficava com a impressão de que tinha alguém atrás de mim o tempo todo, embaixo da água. Mas sempre que eu virava, não tinha ninguém lá. Então chegou a hora de usar os trampolins. Eu engoli a seco e subi a escada. Como eu temia, lá estava ele, o garoto deitado no fundo da piscina. Eu hesitei por um instante e o professor e o resto da classe começou a falar para eu pular logo. Eu decidi que ia pular, peguei impulso e quando eu estava para tirar o pé do trampolim, eu vi o garoto se virar, olhar para mim e sorrir de um jeito que me dá arrepios só de lembrar. Eu escorreguei e cai na água de barriga.
Todo mundo estava rindo de mim, quando eu olhei para onde o garoto estava no fundo da piscina, ele não estava mais lá.
Depois disso, sempre que eu entrava na piscina, eu tinha aquela impressão de que tinha alguém atrás de mim, mas sempre que eu virava nunca tinha ninguém. E eu já não estava mais agüentando aquilo. Eu decidi que nunca mais iría pular do trampolim mais alto, e o professor respeitou a minha decisão, falando que eu devia ter medo de altura. Em um dos últimos dias das aulas de natação, nós estávamos nadando do raso até o fundo (eu insistia em ficar do lado da borda da piscina, assim não teria que nadar sobre o lugar que o garoto sempre aparecia). Quando estava na metade do caminho, eu senti alguém segurando na minha perna e me puxar para trás. Eu acabei indo para debaixo da água com a força da puxada e então me virei rápido para ver quem era. Era aquele garoto, segurando a minha perna e ele estava com um sorriso ameaçador no rosto. Parecia que ele queria me puxar para o fundo da piscina. Ele estava segurando forte e estava claro o que ele estava fazendo. Ele queria me afogar, queria que eu ficasse lá embaixo com ele. Eu também senti um ódio muito grande vindo dele. Eu comecei a chutar a mão dele e de algum modo consegui me libertar depois de um bom tempo. Eu nadei para a superfície e sai da água correndo. Eu estava assustada, mas sabia que não podia simplesmente falar o que tinha acontecido para o professor. Eu falei que estava com cãibra na perna e achei que ia afundar.Eu fui até o vestiário, me troquei, e fui até a recepção, e jurei nunca mais entrar naquela piscina de novo. Quando o meu pai veio me buscar, o professor nos chamou na piscina para conversar sobre o que estava acontecendo. Eu não ia falar que a piscina dele era assombrada, eles iam achar que eu estava mentindo ou que era louca, então simplesmente falei que não queria mais ter aulas de natação, que queria parar. O meu pai perguntou qual era o problema, e eu falei que não tinha problema nenhum, só que eu não queria mais ter aula de natação. Sem ter muito sobre o que discutir, ele falou que tudo bem, que se eu não queria, não precisava fazer mais as aulas. Enquanto nós estávamos saindo da área da piscina, eu me virei e dei uma última olhada para a água. Eu vi o garoto, um pouco abaixo da superfície, acenando para mim, com um jeito zombeteiro. Eu me virei e fui para casa, e nunca mais voltei para aquele lugar.